Coreia do Sul: como podemos aprender dos segredos intrínsecos de uma sociedade desconhecida

Muitos no Ocidente ainda pensam na Coreia em termos de ideias excêntricas e ações da elite ditatorial na Coreia do Norte. Mas este período de divisão da Península Coreana, resultante da guerra da Coreia nos anos 50, nada mais é que um parêntesis numa longa história, de acordo com Matthew Jackson, autoridade na cultura e história da Coreia.

Matthew JacksonMatthew JacksonJackson, do Projeto de Promoção da Cultura e do Espírito da Coreia (KSCPP) com ação no Reino Unido, palestrou sobre “Jornada à Coreia: trabalhando por um bem comum” no Fórum de Greencoat, no centro de IdeM em Londres, no dia 22 de Novembro.

A história da Coreia possui cinco milênios, de acordo com registros históricos: uma longa história de dificuldades e bom trabalho, de adoração silenciosa e respeitosa aos Deuses, a alfabetos novos e simples em que todos pudessem usá-lo, e de máquinas de impressão muito mais antigas que as de Guttenberg.

Hoje, as duas Coreias não poderiam mais estar separadas. A parte Norte ainda permanece pobre, fechada e mal tratada por seus governantes. A parte Sul foi à frente e tornou-se um dos países mais avançados do mundo.

Jackson visitou a Coreia do Sul 15 vezes e ganhou muito de sua cultura. Ele não poderia ter entendido a vida, diz ele, sem o conhecimento adquirido na Coreia do Sul: o estilo de vida, alimentação, atenção aos detalhes e competitividade, todo o espírito do país.

“Esse espírito remonta à fundação do país há 5 mil anos sob a filosofia de Hongik Ingan, que significa ‘viver e trabalhar pelo benefício de todos os seres-humanos”, diz ele.

O Rei Sejong – O Grande (1397-1450) – que acreditava que o papel de um rei era servir às pessoasO Rei Sejong – O Grande (1397-1450) – que acreditava que o papel de um rei era servir às pessoasHá muitas coisas que a audiência ocidental deve ouvir mas não entende. Tripikata Koreana, por exemplo, é uma enorme coleção de escrituras budistas do Século XIII, complexamente cravada em blocos de madeira, que mostra uma das principais características desta sociedade: detalhe, projetos de longo prazo, precisão e excelência.

“Em tempos modernos, esta filosofia se manifestou em numerosos avanços notáveis que a Coreia do Sul tem feito desde a Guerra das Coreias, possível pelo espírito de toda uma nação trabalhando unida e sacrificando metas pessoais pelo bem comum”, disse Jackson.

Por exemplo, segundo Jackson, o Reino Unido, uma nação que já foi líder em construção naval, poderia aprender muito dos estaleiros navais da Hyundai, o atual fabricante-líder mundial de construção naval. Poderíamos trabalhar mais para sermos mais coreanos, disse ele.

“A história da Coreia antes da Guerra da Coreia é desconhecida ao Ocidente. Numa era de crescente incerteza econômica e tensão geopolítica, o espírito de Hongik Ingan se apresenta como uma esperança para todos nós do Ocidente e para a economia global”, concluiu.

No website do KSCPP há documentos, audiovisuais e outros recursos que ajudam a compreender a cultura coreana. Veja em http://www.kscpp.net

Jackson mostrou alguns breves clipes sobre a Coreia do Sul no fórum, numa sala com participantes ansiosos para saber mais sobre este país de 50 milhões de pessoas, que tem muito mais a falar no Século 21.