Mudando o coração do passado… um começo

Participantes do Círculo de Paz na fazenda Oosterhuizen distante 15 km de Ventersdorp (Foto: Jackie Euvrard)Participantes do Círculo de Paz na fazenda Oosterhuizen distante 15 km de Ventersdorp (Foto: Jackie Euvrard)Com um suspiro profundo, uma participante disse, “Eu quero perdoar, mas a quem?”. Ela então relatou como há alguns anos, quando com sua família viveu em outra parte da África do Sul, seu irmão menor foi ferido e humilhado depois de ser machucado num torneio de tênis devido à cor de sua pele.

Este círculo de paz foi conduzido na fazenda Oosterhuizen a cerca de 15 km de Ventersdorp, uma cidade com conflitos raciais, em Maio. Oito africanas da NGKerk (igreja africana) participaram. Elas queriam descobrir como trabalhar mais efetivamente como equipe, revitalizar sua caminhada pela fé e conhecer melhor umas às outras.

Portia MosiaPortia MosiaDando um pouco do passado da África do Sul, Portia disse “Pessoalmente tinha minhas reservas antes de ir a Ventersdorp, vendo que seria a única negra lá, mas fiquei curiosa pela reação que receberia do grupo, se seria julgada por quem eu sou ou pela cor de minha pele. Surpreendentemente, minhas suposições estavam corretas: o grupo me recebeu de forma calorosa e queriam saber mais e mais de mim. Enquanto a oficina seguia, me perguntavam várias coisas que de fato abriram para uma conversa honesta sobre cultura”. Uma das participantes, quando perguntada na ficha de avaliação o que havia sido mais importante na oficina, respondeu que foi ouvir a Portia. Isso refletiu o quanto o grupo valorizou as discussões sobre cultura. Era o começo de um novo entendimento.

Compartilhar experiências fez o grupo mais unido. Houve questões pessoais sobre perdão que levou a um nível mais profundo de conversa. Uma participante expressou como perdeu uma promoção devido à contratação de pessoas com menos experiência. Foi difícil de aceitar, mas ela aprendeu a apreciar aqueles com quem trabalha agora. Uma das sinceras preocupações que a maior parte do grupo expressou foi sua insatisfação quando, a cada lugar, são automaticamente rotuladas racistas por serem de Ventersdorp.

O grupo quer se encontrar com as senhoras de Tshing, uma área residencial adjacente de negros, que também participou da mesma oficina em Março.

Portia foi convidada a encontrar e falar aos alunos de uma escola multirracial num esforço de ajudá-los a entender a cultura uns dos outros. Outras irão encontrar grupos menores dos trabalhadores de suas fazendas como uma forma de conhecê-los culturalmente melhor.

Portia Mosia e Jackie Euvrard