Mike Lowe é editor do website global de Iniciativas de Mudança. Sua carreira variada inclui ensino de Inglês na Polônia, programas de formação de jovens líderes na Europa Oriental, trabalho em hospitais psiquiátricos e desenvolvimento do programa "Descubra o Outro". Ele vive com sua família em Melbourne, Austrália. Seus interesses incluem música, filosofia, teologia e psicologia, e ele tem sido adepto das questões em torno da mudança climática.
No início do ano passado alguém me enviou uma mensagem de Tom Burke, um influente britânico defensor do clima, dizendo que 2009 seria o mais importante na história humana - mais importante do que 1989, 1917, 1776, 1066 ou qualquer outra data importante que você possa pensar. O motivo, Burke argumenta, foi que 2009 seria em grande parte para determinar se os nossos netos viverão em um mundo estável e melhor, ou se eles trabalharão numa espécie de inferno atormentado por guerras, fome e doença.
Ele estava, naturalmente, referindo-se ao Fórum de Copenhagen sobre o clima. Ao longo dos anos, um impulso constante por mudança foi construído, ajudado enormemente pela internet, tais como campanhas no avaaz.org (que coletou 13 milhões de assinaturas e apresentou-as em Copenhagen) e 350.org (que globalmente apoiou uma meta de 350ppm de CO2). O Parlamento das Religiões do Mundo, na qual participei em Melbourne pouco antes do fórum, enviou uma lista de 60 metros de mensagens a Copenhagen, e muitas outras mensagens, pedindo uma resposta moral para cuidar da Terra e dos marginalizados que sofrerão mais.
Mesmo com a paixão, o cuidado e a energia criativa com as quais entraram essas campanhas, não é surpreendente que os resultados do Fórum de Copenhagen, redigido em linguagem diplomática ambígua, tenham sido uma desilusão para muitos. Este não é o forte acordo global que irá definir o mundo em vias de recuperação. Pode ser, no entanto, um começo. Há aparentemente tantas muitas diferentes percepções do Fórum de Copenhagen quanto há especialistas dispostos a escrevê-las. Dedos de culpa têm sido apontados em direções diferentes - embora isso normalmente seja um exercício inútil, porque não conduz à mudança.
O The Economist espirituosamente referiu-se à “interpretação de Copenhagen” do quantum físico dinamarquês Niels Bohr, que diz, com efeito, que a realidade é uma bagunça de múltiplas possibilidades de conflito que só se solidifica em algo definitivo sob o ato de observação. Bohr, tentando dar sentido ao mundo subatômico nos anos 20, provavelmente se revirou em seu túmulo, mas prefiro a analogia: 2009, o ano mais importante da história, já está quase no fim. Se vai ser o ano em que nossos netos olharão para trás com gratidão ou com maldição, não sabemos.
No lado positivo, ninguém em Copenhagen que tinha poder real questionou a ciência. Os poucos céticos do clima, como o senador de Oklahoma James Inhofe, achou difícil encontrar alguém que iria levá-los a sério. O debate foi entre uma meta de um aumento de 2 graus (o que irá significar o fim de muitas nações em ilhas baixas) ou 1,5 graus. Mesmo para conseguir um aumento de no máximo 2 graus, exigirá maiores cortes de emissões e quase certamente significaria o fim do carvão.
O Fórum também pode significar o começo do fim do processo da ONU para limitar a mudança climática. Isto pode não ser necessariamente uma coisa má. Oitenta e cinco por cento das emissões de gases de efeito estufa são produzidos por um grupo relativamente pequeno de países. Se este grupo puder chegar a um acordo, então isso é suficiente. Alguns dos líderes do G77 que se revoltaram contra o "Acordo de Copenhagen" foram Robert Mugabe, do Zimbábue, e Hugo Chávez, da Venezuela, que pode ser motivado tanto pelo sentimento anti-EUA, como qualquer outra coisa. A ONU, contudo, têm um papel importante na elaboração de como gastar o “Fundo do Clima Verde de Copenhagen” - os fundos dos países desenvolvidos para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem à mudança climática.
Mas o mais positivo é o crescente exército de ativistas - vovós, empresários, freiras, estudantes, pais e filhos - que estão preparados para sair nas ruas e lutar por mudanças. Estas serão as pessoas que irão determinar o futuro. A história ainda apela a pôr de lado cada vez mais os sonhos egoístas de bens materiais e assim reconhecer a nossa solidariedade com os presentes e ainda com os que estão por nascer, que habitam/habitarão este belo planeta azul e verde.