Jennifer HelgesonJennifer Helgeson é uma americana que divide seu tempo entre o trabalho de eficiência energética para o governo dos EUA e a graduação em Londres, onde ela é doutorando no Instituto Grantham de Pesquisas sobre Mudança Climática e do Meio Ambiente da Escola de Economia de Londres. Muito de seu trabalho é explorando como indivíduos percebem os riscos a longo prazo. Entre outras atividades, ela escreve para o Climatico.
Jennifer participou na primeira semana da COP15 (Conferência das Partes), em Copenhagen, com uma pequena equipe internacional de Iniciativas de Mudança. Na COP15 ela acompanhou o desenvolvimento do mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação. Ela relata:
Esperava-se que um (legalmente obrigatório) acordo seria alcançado para eclipsar o Acordo de Kyoto para o período pós-2012. As pessoas tinham dedicado anos de suas vidas para fazer de Copenhagen um verdadeiro sucesso e bem, às vezes as melhores intenções seguem não realizadas... 
Esta foi a primeira vez que houve uma presença dedicada de Iniciativas de Mudança (IdeM) em uma COP, embora membros de IdeM tiveram significativas partes nas negociações do ano passado. O Fórum de Caux pela Segurança Humana percebeu a importante ligação entre a segurança humana, meio ambiente e questões econômicas. Assim, um grupo se uniu através da rede de IdeM e partiu para Copenhagen para buscar nichos para a construção de confiança. Eu estava acompanhada por Tom Duncan, da Austrália, Francis Ward, do Reino Unido, Marcia Lee, dos EUA e Rishab Khanna, da Índia. Nós tivemos sorte o suficiente para obter um excelente apoio e inestimável orientação do veterano jornalista ambiental Geoff Lean, Martin Frick, Diretor Executivo Adjunto / Diretor do Fórum Global Humanitário, Nithiyananthan Nesadurai, Consultor de Relações Públicas da Malásia e Chad Briggs, da Universidade de Lehigh e um membro veterano do Instituto para Segurança Ambiental.
No meu típico trabalho com a economia das alterações climáticas, a "face humana" das alterações climáticas está escondida sob os cálculos. Eu estava no Bella Center (centro de conferências da COP15), em Março passado para apresentar um documento de redução a longo prazo. Durante esse período de preparação da conferência para COP15, as discussões sobre a ciência pareciam preparar o cenário para a ação real durante a COP15. Mas, em muitos aspectos, a COP em si era absolutamente carregada de políticas de retaliação, às vezes ignorando a clara "face humana" da mudança climática em favor de interesses próprios.
Eu entrevistei a delegação da pequena nação de Kiribati, uma ilha. Eu escutei os líderes de Kiribati contando literalmente sobre a lenta perda de suas terras e o persistente aumento do nível do mar. Como um acordo não pode ser formulado em que os governos estejam seriamente negociando planos de ação para evacuar os cidadãos que podem tornar-se "refugiados ambientais" na próxima década?
Às vezes, me senti como se eu fosse da periferia, num vale-tudo querendo forçar os negociadores a ouvir as histórias humanas das mudanças climáticas. Depois voltei para os EUA, eu estava esperando ansiosamente para a negociação que era certa de sair em Copenhagen. Mas, o acordo final não incluiu metas reais e certamente não será compulsório. É difícil não sentir isso no coração. Havia tantos em Copenhagen que queriam chegar a um acordo viável para literalmente salvar as pessoas, biodiversidade, etc. em todo o mundo.
A ligação entre a pobreza e a mudança climática é muito forte, ou eles são resolvidos em conjunto ou nada feito. Um dos maiores obstáculos para melhoria dessas condições é a desconfiança entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento. Observações das interações básicas nas negociações apontam para o que Sahnoun chamou de “mémoire blessée” (Memória Ferida). Efetivamente, esta “memória ferida” descreve as experiências passadas (por exemplo, a guerra, o colonialismo) que fundamentam as difíceis relações entre as nações no futuro. É trágico ver como esses relacionamentos feridos são maiores que os assuntos não-relacionados, como as alterações climáticas.
O nosso grupo de IdeM discutiu a falta de confiança no sentido mais básico ao longo das negociações, durante os eventos paralelos, e em interações informais. Concluímos que a desconfiança tende a ser cultivada e é o resultado da transação focada, ao contrário do relacionamento focado. Agora estamos prontos para ajudar na tarefa monumental de permitir o foco na relação de confiança que vai além da atitude de "nós contra eles." Acho que IdeM está pronto para ser instrumental, mas quando estarão prontos aqueles em posição de firmar os acordos necessários para mitigar a mudança climática?
Juntos, nossa equipe de IdeM estabeleceu as seguintes medidas de ação para começar a criar confiança nas negociações da COP, entre outras sugestões:
- Uma voz igual para todos os interessados (Isso inclui uma abordagem multilíngue mais forte no âmbito das negociações).
- Proteção para aqueles que escolheram falar livremente no âmbito das negociações.
- A utilização da mediação dentro de negociações sobre mudança climática.
- Maior utilização de negociações enfatizando a razão por trás de determinadas posições, permitindo assim uma maior compreensão mútua e acolhimento.
- Enfrentar a dor e as memórias feridas do passado entre os países e coligações, a fim de reconciliar e construir a confiança no futuro.
Eu estava editando a lista acima, quando o cavalheiro ao lado me perguntou se eu entendia francês. Depois de falar por alguns instantes, percebi que ele era um membro do parlamento do Senegal. Eu o ajudei a escrever um e-mail em inglês bem básico. E então só ali eu percebi quanta desvantagem têm quem tem o inglês como uma segunda língua (ou em muitos casos terceira), verdadeiramente sofrendo em todo o processo de negociação, especialmente nas comunicações mais informais. Tenho estado em bom contato com este senhor desde aquele dia, e uma ação principal para melhorar a confiança e respeito em situações informais na COP chegou a mim. Espero que haja a chance de montar uma campanha através de IdeM para incluir mais disponibilidade de tradução em situações informais (por exemplo, escrever e-mail) durante uma COP futuro.
Não há dúvida, o meu tempo em Copenhagen me transformou e provocou a necessidade de ajudar a melhorar essas negociações. Gostaria de agradecer a incrível equipe de IdeM que inspirou muito do que eu escrevi neste texto. Estou ansiosa para trabalhar com IdeM para tornar isso uma realidade e garantir que os resultados de Copenhagen não se repitam, mas que possamos obter metas viáveis e justas que apontem para uma justiça climática no futuro.
Se você estiver interessado em saber mais ou trabalhar no sentido de uma maior confiança nas reuniões da COP, especialmente em campanha para as atividades de tradução informal, entre em contato com Jennifer F. Helgeson, co-Diretora do Grupo Meio Ambiente e Economia, Fórum de Caux para a Segurança Humana, clicando aqui.
Detalhes sobre a conferência da Mudança Climática da ONU podem ser encontrados em: http://unfccc.int/portal_espanol/items/3093.php [em espanhol]