Chris Breitenberg (Photo: Mike Brown)Chris Breitenberg lembra o 11 de setembro de 2011.
O último domingo foi o 10° aniversario dos atentados do 11 de Setembro no World Trade Center e no Pentágono na cidade de Nova Iorque e em Washington DC, respectivamente.
Eu não comemorei a data como algo significativo, mas muitas pessoas nos EUA o fizeram. Pela manhã, vi um pouco da transmissão do serviço religioso em Manhattan que teve a cobertura feita pelos canais de televisão mais importantes. De tarde, liguei a televisão para ver o jogo de futebol onde uniformes, campos, minutos de silêncio e canções lembravam a tragédia. Durante o dia todo, o ocorrido teve importância primordial.
A frase recorrente do dia foi, simplesmente, “nunca esqueceremos”.
Em 2001, quando o mundo chegou plenamente à Era da Globalização, o 11 de Setembro foi a notícia mais importante e lembrada de uma geração. Um momento que todos podem lembrar perfeitamente. Foi um momento em que o mundo mudou – para jamais ser o mesmo.
No entanto, parece que faz muito tempo. Eu era um estudante de 20 anos e estudava em Roma. Não tinha telefone celular nem câmera digital. Não existia o twitter, facebook nem skype. Levava de cima para baixo, um CD player para escutar música e guardava arquivos em discos floppy de 32Mb.
Foi uma época que nunca esquecerei. Estava chegando a minha maioridade. Enquanto os aviões colidiam, eu abandonava uma certa ingenuidade para sempre. No dias seguintes, minha visão de mundo mudava dramaticamente.
Olhando para trás, destaco três descobertas:
O mundo é muito grande e existem muitas pessoas aqui.
E não são todos que enxergam as coisas da mesma forma. O acontecimento em si demonstrou esta brecha de maneira dramática, mas senti de uma forma pessoal, na relação dos romanos comuns durante os dias seguintes. As reações iam desde uma solidariedade avassaladora à apatia e até a uma quase apatia agressiva. As experiências humanas e as visões do mundo se estendem muito além da nossa capacidade de compreensão individual.
A distância é poderosa.
Enquanto a vida continuava com toda a normalidade na Itália, eu não podia nem mesmo começar a entender as imagens que eu vi na televisão dos meus compatriotas em vigília com velas e eventos comemorativos. Sentia-me como se estive em outro mundo. Escutando a minha família e meus amigos lá nos EUA falando sobre isso, soava mais incompreensível que o italiano que tinha estudado durante apenas 10 dias. Quando voltei para casa em Dezembro, me sentia um estranho numa terra estranha. Por mais próximos que estejamos virtualmente, nada como estar ali.
Quando existe um motivo forte, as pessoas se unem para fazer coisas poderosas.
Desde o momento do ocorrido, nos dias e semanas seguintes, vi como as pessoas, de perto e de longe, se sacrificavam para unir suas mãos e aliviar o sofrimento causado pelo atentado. Ao mesmo tempo, me dei conta de que os terroristas devem ter sido movidos por algo muito poderoso também.
Todos tinham suas razões individuais, mas em ambos os casos, existia algo muito forte que fez com que as pessoas se sentissem chamadas a responder com uma ação incrível – em tom único.
Nunca esquecerei esse dia, mas também nunca esquecerei essas lições vida. Elas formaram uma plataforma da minha própria filosofia: as pessoas são tremendamente diferentes e muito separadas umas das outras – mas podem se unir para fazerem algo extraordinário.
Neste verão, enquanto assistia ao Fórum de Caux para a Segurança Humana, tive a oportunidade de assistir à conferência proferida por Carl Dtauffer, Diretor Acadêmico do Programa Caux Scholars. Ele falou sobre o conceito de memória. E a tese de sua conferência era que nós, como seres humanos, estamos biologicamente conectados de forma a lembrar tudo. Devemos portanto estar preparados para trabalhar com o passado (a memória) como uma força dinâmica e sempre presente em nossa vida diária.
Vendo as homenagens ao 10° aniversario, a mensagem de Stauffer veio a minha mente. Minha memória estava a todo vapor. Lembrei-me de muitas coisas e destas três lições. Lembrei da imagem dos bombeiros correndo até o edifício, a segunda torre caindo, a confusão, a raiva, tudo em italiano, o rosto da mãe da família que me hospedava, a solidão, a tristeza, as bandeiras dos EUA içadas no Marco Zero, uma bebida forte às três da tarde, equipes de voluntários prestando serviço, muito ferro, o chamado às armas, o homem que me cuspiu, os três minutos de silêncio na Europa, os últimos 10 anos…
Enquanto tudo dava um nó na minha cabeça, a mensagem começou a mudar. A frase “nunca esqueceremos” mudou. Aconteceu uma reviravolta. Converteu-se em “a quem/que/quando e onde lembraremos?”
E o por quê?
Chris Breitenberg, de Virginia Beach, é membro do Conselho Internacional de IdeM, com foco especial nas comunicações internacionais. Também trabalha nos EUA no programa “Trustbuilding Leadeship” (Liderança para Construção de Confiança), uma iniciativa de formação de IdeM para estudantes universitários.
Iniciativas de Mudança (IdeM) é um movimento mundial de pessoas de diversas culturas e origens, comprometidas com a transformação da sociedade através de mudanças nas motivações e comportamento humanos, começando com elas mesmas.

Trabalhamos para inspirar, equipar e conectar pessoas a trabalharem pelas necessidades mundiais, começando por elas mesmas, nas áreas de construção de confiança, liderança ética e vida sustentável.
Omnia Marzouk, Presidente de IdeM Internacional
"Nada duradouro pode ser construído sem que as pessoas desejem viver diferentemente e sejam exemplo de mudanças que querem ver na sociedade"