CAMPANHA ELEIÇÕES LIMPAS
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A Campanha Eleições Limpas (CEC) é um chamado a todas as pessoas, ricos e pobres, jovens e velhos, a se comprometerem na escolha consciente de líderes com padrões como integridade, valores e fé sem deixar que líderes manipulem suas escolhas ou usem qualquer outro meio ilícito. A campanha promove atenção a uma mensagem bastante simples: para que o país esteja limpo, justo e livre da corrupção e intimidação, os eleitores precisam eleger líderes que reflitam essas qualidades.

A campanha tem intenção de:

Ajudar os eleitores a tornarem-se conscientes de seu direito de votar

Enfatizar a importância da integridade pessoal em nossos líderes como base para uma integridade pública


Visão Geral
As eleições políticas são a chance dada por Deus para utilizar nosso voto para promover uma nova estrutura de líderes sensíveis com comprometimento infalível de servir com integridade.

Você não pode viver torto e pensar reto. Devemos escolher homens e mulheres de integridade que pensem de forma correta como nossos líderes nacionais e líderes. Vamos dar apoio e encorajá-los quando eles se posicionarem pelo que é certo.

A voz interior (voz de Deus) está disponível a todos para nos mostrar o caminho certo à frente para fazer do nosso um grande país.

Origem
A CEC começou em Taiwan em 1991 e provou ser muito efetiva. Depois foi lançada no Quênia nas eleições gerais de 1995 e 2002 onde teve um grande papel dando atenção ao voto consciente para os cidadãos comuns. A campanha também se estendeu a outros países africanos como Gana, Nigéria e Serraleoa, além das Ilhas Salomão no Pacífico e do Brasil, na Am. Latina. Teve enorme impacto nesses países e outros estão considerando começar uma campanha da mesma forma.

A CEC é um programa ligado a Iniciativas de Mudança (IM), uma rede internacional de pessoas comprometidas com a transformação da sociedade baseada na transformação de pessoas, começando com elas mesmas. Teve início num momento quando as nações da Europa estavam se rearmando em face à Segunda Guerra Mundial. IM teve um importante papel nos esforços de estabelecimento da paz depois da guerra. Afirma que existe um propósito para cada pessoa no mundo. Encoraja pessoas a buscar esse propósito escutando a voz interior da consciência e atuar no que elas saibam sobre Deus e os eternos valores morais centrais em suas vidas. Propõe padrões absolutos de Honestidade, Pureza, Altruísmo e Amor como guias para a vida pública e privada, além de tomada de decisão.

Essas idéias e seus efeitos passam de pessoa para pessoa. Elas deram início a uma comunidade internacional de pessoas em ação em mais de setenta países com programas como:

Fortalecer as bases morais e espirituais para democracia;

Estabelecer uma rede de trabalho entre pessoas de diferentes culturas e crenças baseadas no compromisso comum, qual seja o de trabalhar pela reconciliação, justiça e paz;

Tentar solucionar as causas básicas da corrupção, pobreza e exclusão social;

Fortalecer o cuidado e comprometimento moral na vida econômica e política.


No Quênia, CEC foi iniciada em 1995 por Joseph Karanja, com 26 anos na ocasião. Ele diz que “meu próprio envolvimento em querer fazer a diferença em meu país começou em 1994. Eu apenas voltava da Índia onde passei seis anos estudando Artes e Direito. Como qualquer outro jovem, eu procurava colher os benefícios de um bom aprendizado. Nunca dei muita importância para o que estava acontecendo em meu país. Em abril de 1994 estava num internato com UNHCR. Isso foi ao mesmo tempo em que o genocídio estourou em Ruanda e cerca de um milhão de pessoas foram mortas. Os eventos em Ruanda me fizeram perceber que o genocídio poderia acontecer em qualquer lugar. Num determinado momento lancei uma Campanha Eleições Limpas, cujo objetivo era lutar contra a corrupção e encorajar boa liderança no poder. A Campanha foi uma tentativa de encorajar cada queniano a tomar responsabilidade por nosso país. Ela enraizou-se muito rapidamente, já que a maioria dos quenianos queria uma nação limpa”.

A política da CEC
Dar suporte não a alguém ou um partido em especial, mas ser algo para o bem do país

Não prover benefício pessoal a qualquer indivíduo e trabalhar desinteressadamente para o bem do país

Ser totalmente positivo em abordagens

Não culpar os políticos mas encorajá-los a tomar responsabilidade por pessoas

Esforçar-se pela ação conjunta com grupos não-governamentais e religiosos

Ganhar a confiança e apoio de pessoas comuns

Trabalhar por uma resposta positiva da mídia e do público


Missão da CEC
Construir um banco de conscientização com abrangência nacional (comprometimento pessoal)

Alcançar os eleitores comuns e convencê-los que podem fazer a diferença

Pedir que pessoas se comprometam a não aceitar propinas nem votar em alguém que ofereça propinas (não vender liderança)

Lidar com a corrupção, violência e apatia

Requerer que pessoas não participem de violência, e sim promovam boa vontade e tolerância

Encorajar responsabilidade pela integridade no processo eletivo no país

Educar pessoas sobre os critérios e qualidades de bons líderes

Conter a compra e venda de votos que favoreça somente a políticos ambiciosos, fomentando que grupos financeiros entrem no poder em grande número, deste modo comprometendo o futuro político

Encorajar e desafiar que pais sejam bons exemplos para seus filhos

Desafiar que líderes usem mais tempo liderando que gastando mais tempo em serem eleitos, o que promove corrupção e péssimo governo

Encorajar que as pessoas votem: líderes ruins são eleitos por bons cidadãos que não votam

Abster pessoas da quebra das diretrizes eleitorais, que provoca o desperdício de seu voto

Encorajar cidadãos que se registrem como eleitores e tenham um título de eleitor

Dar confiança às pessoas que reportem quaisquer irregularidades durante todo o processo eleitoral para as autoridades


História

CEC 1997

Depois de ouvir da efetividade de um projeto de Campanha Eleições Limpas em Taiwan em 1992, Joseph Karanja reuniu dez amigos para uma conferência de final de semana para considerar a situação no Quênia. Como resultado, decidiram lançar a Campanha Eleições Limpas (CEC) em seu país antes das eleições nacionais de Dezembro de 1997. Ele estava convencido de que era a coisa certa para lidar com a corrupção, violência e a apatia, permanente nas eleições. O governo costumava utilizar o Banco Central para imprimir dinheiro para financiar as eleições – não para as operações eleitorais, mas para as propinas de forma a intimidar pessoas ou comprá-las, tendo assim garantido-as um ano antes.

O grupo abordou inicialmente os líderes religiosos. Eles conversaram com dirigentes da Igreja Católica, Anglicana, dentre outras, e líderes muçulmanos. Três pontos foram acertados nessas conversas:

Pedir que pessoas se comprometam a não aceitar propinas, e não votem em quem ofereça propinas

Encorajar pessoas que tomem responsabilidade pela integridade do processo eleitoral nas cabines eleitorais

Encorajar homens e mulheres honestas a se candidatarem nas eleições para o parlamento


Os líderes religiosos deram seu apoio completo a isto e encorajaram que representantes da CEC dirigissem suas congregações, que por muitos dos meses subseqüentes o fizeram. Isto promoveu uma forma mais efetiva que alcançar o eleitor comum, porque em dias religiosos as igrejas estão sempre cheias no Quênia. Um grupo de empresários ajudou a financiar a campanha na imprensa nacional e uma gráfica se propôs a imprimir centenas de milhares de panfletos sem nada cobrar por isso.

Os 22 bispos católicos convidaram todos os quenianos, especialmente os oito milhões de católicos, a apoiar a campanha assinando o termo de compromisso. O compromisso, que era parte dos panfletos, consistia na promessa de não aceitar propinas, quando possível preveni-las e expor as ações que poderiam distorcer ou influenciar nos resultados das eleições, e ainda não tomar parte em qualquer violência. Ao todo, mais de 700.000 termos foram assinados e devolvidos. A campanha de panfletos também assinalou quatorze qualidades de um bom líder, todas elas qualidades não-políticas, como base para escolhas na ocasião de votar.

A campanha tornou-se extremamente popular e rapidamente cresceu num movimento nacional no qual muitos dos 33 milhões de cidadãos do Quênia participaram. Quenianos comuns convidavam os agentes da campanha para suas casa para conversar com vários grupos sobre a campanha. As pessoas recebiam os agentes onde quer que fossem. O país inteiro foi mobilizado a apoiar a campanha e isso deu oportunidade a cada queniano de ter seu papel na cura desse mal dentro de sua nação.

A mídia e outras organizações também deram seu apoio à campanha. Para o governo, era algo difícil de lidar porque não podiam ir abertamente contra uma campanha que estava lutando contra a corrupção. Eles fizeram a campanha totalmente positiva. Procuraram não culpar qualquer partido ou indivíduo em particular, mas sim lançar um desafio igual a todos os líderes a não participar em corrupção.

A apatia no país, um resultado do sistema corrupto, estava quebrada. A campanha encorajou pessoas a abordar bons líderes em suas áreas para se apresentarem como candidatos. Assim eles fizeram. Trinta candidatos, que provavelmente que não teriam se apresentado como candidatos mas o fizeram pelo encorajamento de Joseph Karanja e seus colegas, foram eleitos. Onze ministros do governo e vinte e seis deputados federais perderam seus cargos e a representação do Presidente Arap Moi, que era maioria no parlamento, foi reduzida a quatro. Perdeu alguns membros de seu próprio partido e seu poder ditatorial foi reduzido.

CEC 2002

A resposta depois das eleições de 1997 foi um encorajamento para que aquele momento fosse mantido. Os agentes da campanha começaram a se preparar para as eleições presidenciais e parlamentares de 2002. Neste momento, muitos outros grupos se juntaram à Campanha Eleições Limpas.

O Programa de Observação Doméstica do Quênia convidou igrejas, o Conselho Hindu do Quênia, e o Conselho Supremo de Muçulmanos para monitorar as eleições. Outro parceiro foi a Transparência Internacional do Quênia. A operação – financiada pela União Européia – envolveu 20.000 quenianos atuando como observadores: um para cada seção eleitoral. Isso ajudou muito a reduzir a manipulação eleitoral.

Brechas na lei testemunhadas nas eleições de 1997 foram sanadas. Isso foi feito pela luta em ter os votos contados nas seções eleitorais ao invés de transportar as urnas, o que havia aumentado as chances de interferir nelas.

A equipe de IM se organizou para alcançar cada região do país; mensagens que comprometeriam eleições justas foram neutralizadas pela CEC. Os agentes distribuíram 140.000 panfletos e falaram em centenas de ocasiões em rádios e programas de TV, em escolas, encontros públicos. “A CEC chamou o eleitorado a comprometer-se a não participar de nenhuma violência ou corrupção e que relatariam práticas ilícitas”.

Francis Kimani, advogado em Nairobi, comentou na revista For a Change (Abril-Maio 2003): “Ainda me lembro como uma congregação de cerca de 3.000 pessoas na Catedral Cristo-Rei, Nakuru, foi estimulante quando Joseph Karanja, da CEC, falou por dez minutos. A congregação foi deixada completamente convencida de que podiam mudar as coisas no Quênia”.

Neste momento, a Campanha Eleições Limpas fez ainda melhor. Acabou sendo as eleições mais pacíficas e sem incidentes na história do Quênia. O poder da corrupção nas eleições foi quebrado. A União Nacional Africana do Quênia, partido que tem estado no poder desde a independência, perdeu as eleições, assim como o candidato da preferência do ex-Presidente. Um novo governo foi votado com base na luta contra a corrupção. Apesar do fato de que não existia método transparente de entregar o poder, o processo inteiro foi um sucesso. O novo governo imediatamente demitiu muitos oficiais e judiciários corruptos. O Diretor de Transparência Internacional no Quênia foi apontado como o novo presidente para supervisionar e implementar seu programa anticorrupção.

O espírito contra a corrupção continuou depois das eleições, também com os cidadãos quenianos. Desde as eleições, a Campanha Eleições Limpas tem se enraizado no país. A campanha solicita que os quenianos manifestem-se quando ocorram atos de corrupção, e tem experimentado notável sucesso. A imprensa fala de um crescente número de casos onde civis forçaram oficiais da Polícia a devolverem propinas. Karanja disse que pessoas agora estão questionando as contas do governo. “O país ainda não está limpo, mas pelo menos algo está acontecendo. Não pararemos até que o trabalho esteja feito”, comentou.

Baseado no trabalho pioneiro feito no Quênia desde 1997, Campanhas Eleições Limpas tem sido organizadas em Serraleoa nas primeiras eleições democráticas desde a guerra, e em Gana. Com a ajuda da CEC, uma Campanha África Limpa foi lançada em 2003.

Compromisso

Termo de compromisso:

MEU COMPROMISSO COM DEUS E COM MEU PAÍS

UM DESEJO de ver a tormenta política desaparecendo no Dia Eleitoral, trazendo um novo dia de recuperação e restauração.

COMPROMETIMENTO de assegurar que o certo seja feito, pessoas vivendo corretamente e fazendo esta grande nação e querendo ser uma luz que mostre o caminho de cada ser humano.

COMPROMETO-ME QUE NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES GERAIS:

1. Não venderei meu voto em nenhuma hipótese
2. Não me envolverei em qualquer violência em nenhuma hipótese
3. Vou dar meu voto ao melhor candidato possível independente de sua origem ou status
4. Vou relatar qualquer ato que venha a manipular as eleições e distorcer os resultados eleitorais
5. Vou pedir por ajuda de Deus em conseguir manter meu compromisso

FAÇO ESSE COMPROMISSO de MINHA PRÓPRIA VONTADE pelo AMOR A MEU PAÍS E SEU POVO.


Qualidades
Qualidades de um bom líder

Todo líder que seja candidato às eleições deve ser uma pessoa que tenha as seguintes qualidades:

1. Comprometimento | deve ser dedicado em fazer seu trabalho, não só ser um sonhador
2. Corajoso | deve ser capaz de confrontar o medo e atuar em qualquer situação
3. Discernimento | deve ser uma pessoa que busca a direção divina escutando a voz interior da verdade / de Deus
4. Generosidade | deve estar pronto a compartilhar os créditos com todos (uma vela não perde nada quando ilumina a outra)
5. Integridade | deve viver sua verdade e moral da qual fala todos os dias
6. Visão | deve ter visão ampliada, pensar na próxima geração, não nas próximas eleições
7. Compaixão | deve ser uma pessoa que cuida e sente por outras pessoas, justo com todos e tratar cada um com respeito e dignidade
8. Honestidade | deve ser verdadeiro e sincero, não praticar ou encorajar que se receba ou dê propinas ou incentivos de qualquer forma na vida pública e privada
9. Colaboração | servir a outros (um líder colaborador) e não estar sob efeito de raiva e amargura
10. Relacionamento | colocar o interesse da nação acima de considerações pessoais ou partidárias
11. Responsabilidade | não trair sua consciência para favorecer seu superior, mas sim ouvir a opinião pública e honrar suas promessas
12. Autodisciplina | Tratar bem sua família, proteger as instituições públicas e obedecer às leis
13. Confiança | deve ser uma pessoa de fé e verdade em si própria, seu papel, sua equipe, seu Deus

Contato
O Brasil possui sua própria experiência com a Campanha Eleições Limpas, realizada em 1994. Se desejar fazer parte de uma equipe ativa na promoção dos valores necessários durante as próximas eleições políticas, entre em contato conosco.

Iniciativas de Mudança | BRASIL
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