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O PODER DE MUDAR TUDO
Paul Williams25 Junho 2007
‘A paixão por mudar o mundo pode nos vir de duas formas. Vir de sofrimento e amargura ou vir do amor – o amor que cuida e envolve o desafortunado’.
Um professor-auxiliar falava recentemente sobre a crise de Darfur em sua escola. Constantemente eram expostos slides, em sua apresentação, mostrando a situação de horror, tragédia e urgência nas palavras: ‘O oposto de amor não é ódio, mas indiferença’.
A líder da resistência socialista francesa, Irene Laure, foi questionada sobre o que a mantinha, já como avó e bisavó, viajando a outros países e continentes para falar sobre reconciliação. Ela disse que fez isso ‘por amor ao amanhã’. Tendo achado uma resposta em seu próprio coração por sua mágoa dos alemães por todo o sofrimento em seu país durante a 2ª Guerra Mundial, ela quis compartilhar sua experiência de perdão da forma mais ampla possível. Uma transformação de coração desse nível e o desejo de perdoar serão necessários em larga escala se queremos criar um mundo o qual nossos netos mereçam, falou ela para uma multidão de 5.000 pessoas num rally pós-guerra em Lille. “Netos de olhos azuis, netos de olhos negros – lembrem que eles estão aguardando que você aja, e assim a promessa de um mundo novo”, disse ela.
“A paixão por mudar o mundo pode nos vir de duas formas”, concluiu um sindicalista que no passado esteve comprometido com o Marxismo. “Pode vir de sofrimento e amargura ou pode vir do amor – o amor que cuida e envolve o desafortunado”. Ele se referia a um amor motivado cujo oposto é a indiferença. Essa é a motivação e a compaixão que nos força a agir quando vemos o sofrimento ou a extrema pobreza, ou ainda a manifestação da injustiça. “Você pode doar sem amor”, disse Amy Carmichael, “mas não pode amar sem doar”.
O amor pode também transformar. Assim como a canção do musical de Andrew Lloyd Webber Aspects of Love (Aspectos do amor), O amor pode mudar tudo. Sim, o amor muda qualquer pessoa. Viva ou morra na sua chama. O amor nunca o deixará ser o mesmo.
Eu experimentei algo assim em meu relacionamento com meu pai. Quando adolescente, me tornei muito crítico para com ele principalmente, suponho, porque era pastor. Em certa maneira eu esperava que ele fosse perfeito – um padrão que eu não esperava de mais ninguém! Minha atitude crítica ficou fora de controle. Um dia tive um pensamento simples: “porque não o ama simplesmente como a qualquer outra pessoa?”. Percebi que o que esperava dele era totalmente sem sentido. Pedi perdão por minhas críticas e frieza, e experimentei um senso real de libertação e de amor por meu pai. A relação transformou-se.
De onde vem o amor? Assim como a graça, é um mero presente. Minha única crença é que o amor que eu tenho e que posso dar tem base no incrível amor de Deus por mim. Que o amor é completamente não ganho ou merecido. É incondicional. Philip Yancey coloca isto da seguinte forma: “Não há nada que eu possa fazer para que Deus me ame mais. Não há nada que eu possa fazer para Deus me ame menos”. O que estamos então chamados a fazer é abrir nossos corações – a outras pessoas, outras culturas, e até outros continentes - então experimentaremos esse amor, 'vasto como o oceano' para nos inundar. ‘Isso’, diz Alexander McCall Smith no final de sua obra baseada em Botswana In The Company of Cheerful Ladies (A Companhia das Alegres Senhoras), ‘é o que nos redime, isto é o que faz nossa dor e pesares valerem – o sentimento de amor aos outros, o compartilhar do coração’.
Mas existe um risco. Nos faz vulnerável e abertos a nos machucarmos. Isto é, claro, particularmente verdade quando perdemos alguém que realmente amamos. Assim como Dame Cicely Saunders, pioneira no movimento moderno pró-asilos, diz “Vivemos num mundo onde amor e perda parecem andar juntos – e talvez devam andar juntos”. Os pais podem ser magoados por seus amados filhos e vice-versa. Às vezes entre mais intensamente amamos, quanto mais podemos ser intensamente magoados.
No final, o amor compensa tudo. Nas palavras de São Paulo, o amor “sempre protege, sempre é fiel, sempre espera, sempre persevera. O amor nunca falha”. Ele tem o poder de mudar tudo.
Desde que foi graduado em História Moderna pela Unversidade de Oxford, Paul Williams tem trabalhado por Iniciativas de Mudança – principalmente na Índia e Wales. Por 20 anos foi secretário da ligação nacional entre Wales e Lesotho.
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