|
SESSENTA ANOS DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA: O QUE O MUNDO ESPERA DA ÍNDIA, PAQUISTÃO E CHINA?
Mike Smith20 Agosto 2007
Eu quase compartilho o meu aniversário com o da a Índia e o Paquistão. Nasci exatamente um mês antes de os dois países conseguirem sua libertação da colonização britânica. Mais importante que o crescimento econômico é saber se podem a Índia, o Paquistão e a China chegar a serem conhecidos como modelos de confiança, integridade e governo justo?
Mas só faz 24 anos que pela primeira vez andei pelo subcontinente, convidado por colegas indianos. Desde então viajei por lá pelo menos nove vezes e a gloriosa Mumbai - cheia, caótica, barulhenta, encantadora e dinâmica Mumbai - tornou-se minha segunda casa, quando lá trabalhei por Iniciativas de Mudança. Então participei de todo coração do 60º aniversário da independência.
Desde a independência, a Índia em particular, ao lado de sua enorme vizinha China, mudou totalmente. Seu desenvolvimento econômico não foi tão rápido quanto o dos tigres asiáticos do extremo oriente. Mas apesar do progresso de sua economia, privilégio pelo menos para a minoria, é espantoso ainda que tardio. Suas taxas de crescimentos de cerca de 10%, apesar de que no Paquistão são mais baixas, estão impressionando o resto do mundo.
Eles estão retornando a uma posição de preponderância. Duzentos anos atrás, os subcontinentes indiano e chinês juntos representavam 60% da economia global, e já em 1820 representavam 40%, comparado com a Europa Ocidental, com seus 24%.
Índia e a China estão cotadas para serem em 2050 de novo as maiores economias do mundo, derrubando os EUA. Os dois países mais populosos estão como uma tartaruga numa corrida de lebres para tornar-se a primeira economia mundial. Não significa que eles serão os países com as pessoas mais ricas do mundo, mesmo comparando país-por-país o que se conhece como paridade do poder aquisitivo. Longe disso; seu volume de exportações competitivas, neste momento, depende de forças de trabalho a baixos salários. Mas seu mero tamanho tornará isso inevitável.
E o que acontece com a Índia e a China é crucialmente importante se o mundo quer alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU, incluindo a redução pela metade de pessoas que vivem em absoluta pobreza em 2015.
China, sob sua economia autoritária, teve um bom ponto de partida. Mas Índia, de seu lado, tem uma população mais jovem, eleições democráticas e um poder judiciário independente. E, diferente do Paquistão, manteve os militares longe da política. A corrupção existe nos três países. Suas taxas de crescimento são perigosamente irregulares e enquanto os ricos nas cidades ricas aproveitam riquezas sem precedentes, as economias rurais estão seriamente atrasadas. Alguns estados indianos, no momento, são muito mais pobres que outros e isso pode ser explosivo.
Quais as implicações para o resto do mundo? O que o mundo espera dessas grandes nações com seus séculos de tradição?
• Podem Índia, Paquistão e China desenvolver-se de forma que atinjam as necessidades de todas as pessoas e não somente de uma pequena minoria?
• Podem elas adquirir prosperidade material sem perder seu legado espiritual - sua espiritualidade?
• Podem elas oferecer ao mundo um capitalismo com consciência? O capitalismo ocidental deixa muito a desejar. Grandes empresas indianas - incluindo os fundadores das grandes firmas industriais Tata e Birla e os pioneiros na tecnologia da informação – têm mostrado uma obrigação, uma consciência social para com os pobres das aldeias.
• Podem eles desenvolver uma visão de seu papel no mundo, não somente como industriais, provedores de serviços e exportadores, mas também como agentes de paz e reconciliadores? Podem eles, no momento, fazer seu papel corretamente nos corredores da ONU?
• Podem eles oferecer a esperança de um mundo livre de violência, ódio, medo e ganância, e reter seus valores familiares - livres das distorções sexuais que minam a família?
O pai da libertação da Índia, Mahatma Gandhi, com sua insistência pela não-violenta 'satyagraha' (força da verdade), ainda é um ícone no século 21. E, de acordo com seu neto, ele teria recebido bem a tecnologia dos micro-computadores, assim como ele defendeu a chegada da roda de tecer, pois dá possibilidades a pessoas.
Mas importante que o crescimento da economia é saber se podem a Índia, o Paquistão e a China serem conhecidos como modelos de confiança, integridade e governo justo? Caso sim, o resto do mundo será eternamente grato a eles.
Michael Smith é jornalista autônomo trabalhando com Iniciativas de Mudança, ex-editor da revista For a Change, e coordenador adjunto em UK de Caux Initiativas para os Negócios.
|