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‘HUMANIDADE’, NOSSA CONSCIÊNCIA COMUM
K Haridas
24 Setembro 2007

HaridasExiste uma opção melhor que guerra e violência ? A resposta passa por nossa busca e comprometimento pela paz. A diplomacia tem falhado porque basicamente parece servir a ‘interesses’ e não a princípios.

Há alguns meses participei de uma conferência com tema ‘Humanidade na Guerra’ com o sub-tema ‘Mesmo as guerras têm limites’. Organizado pelo Instituto Euro-Asiático e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC), a conferência defendeu ‘As leis humanitárias internacionais’ críticas em tempos de guerra e violência. Uma pessoa imediatamente sentiu o paradoxo de associar humanidade com a guerra.

Ainda, o que pretendemos quando usamos o termo ‘humanidade’? Esta noção transcendente e unificante é crítica na era da globalização. Sem um senso interior de dignidade humana será difícil aceitar as questões de diversidade e pluralidade que nos confronta globalmente. A humanidade do ser humano baseada em nosso senso comum de consciência é, em sua essência, o que a humanidade representa. Através de reflexão e silêncio podemos expandir nossos corações e mentes para entender a diferença em relação ao ‘outro’.

É por isto que a ‘guerra’ é basicamente criminosa. Ao matarmos uns aos outros impomos dor e violência ao corpo da humanidade. A guerra, mais que qualquer outra forma, é a causa básica da negação da fé e esperança. A guerra traz mais violência e sustenta um clima de medo e falta de esperança. A guerra por si só precisa ser incriminada. Ao final fica a questão ‘O que aprendemos com as guerras e violência?’.

Cerca de seis milhões de judeus morreram nas mãos de nazistas. Mais de três milhões de prisioneiros soviéticos morreram na Alemanha. As duas maiores guerras mundiais do Século 20 mataram cerca de 30 milhões de jovens. A Primeira Guerra Mundial matou cerca de 8,5 milhões de pessoas, e a Segunda Guerra Mundial contribuiu com outros 87 milhões de mortes. Outros sete milhões morreram em conflitos no México, na Guerra Civil da Nigéria, nas guerras Indo-Paquistanesas, na Guerra da Coréia, Vietnã, Irã-Iraque, Afeganistão, Bósnia, Kosovo, Chechênia, Sri Lanka, Acheh, sul da Tailândia e sudeste das Filipinas, para não mencionar muitos focos de situações entre as duas ou três últimas décadas.

Ainda, a ONU claramente reconhece a guerra como legítima em circunstâncias onde a auto-defesa é uma opção racional. Na melhor das hipóteses, os militares podem servir como recursos de prevenção. As guerras hoje não são realmente uma opção para ser exercitada. Apesar da guerra humanizada não parecer, ela é fundamentalmente inumana. A artilharia hoje é mais sofisticada, precisa e mortal. Podem ser lançadas de várias plataformas através de tanques, aeronaves, submarinos e mísseis de inúmeros veículos aéreos.

A ONU está trabalhando agora em radares hipersônicos. Podem achar alvos no mundo em até duas horas. Com bombas em massa e dispensa de munições de urânio, o alcance é maior a ponto de causar o que comumente é referido como uma tragédia colateral. As armas do futuro irão integrar a nanotecnologia e robôs. Matar e prejudicar serão algo mais preciso. A tentação de testar essas armas também efetivamente levará esses participantes ao desejo de guerra.

Apesar da proteção dada pelas Leis Humanitárias Internacionais e pela Convenção de Genebra, aumentam a quantidade de civis mortos em guerras. Na Primeira Guerra Mundial a média foi de 20 combatentes para um civil, na Segunda Guerra Mundial aumentou 1 civil para 1 combatente. Nas guerras de libertação nacional, guerras civis e nos eventos mais recentes aumentou mais: O Centro de Segurança Humana da University of British Columbia, no Canadá, informa que 90% das pessoas mortas nas guerras atuais são civis, sendo vítimas mulheres e crianças de forma desproporcional.

Existe uma opção melhor que a guerra e a violência ? A resposta passa por nossa busca e comprometimento pela paz. A diplomacia tem falhado porque fundamentalmente parece servir a ‘interesses’ e não a princípios. A ONU foi reduzida fundamentalmente a uma plataforma onde nações trocam interesses. Um diplomata uma vez disse que ‘a guerra é uma continuação da diplomacia, mas de outra forma’. Combinado com o instrumento do ‘veto’, a ONU parece mais servir ao exercício do poder e interesses seletivos.

Um comprometimento ao espírito de humanidade e de dignidade humana deve nos tomar em nossa busca pela paz. Isso requer comprometimento sério, de forma a não deixar outra opção. Deve assegurar que conflitos devem ser direcionados de maneira mais holística. Questões de tensão precisam ser vistas. Diálogo, negociações, processo de resolução de disputas alternativo devem contribuir para assegurar o básico como saúde, alimentação, emprego, meio ambiente e mobilidade aos envolvidos.

O diálogo deve assegurar que as distâncias de poder entre as partes do conflito sejam estreitadas. Promover diálogos sem levar à eqüidade de poder em geral leva à falência. Quando direcionadas, provêem a forma e a confiança para assegurar que iniciativas pela paz e entendimento sejam continuamente sustentadas. Outros ingredientes-chave incluem a necessidade de mudar atitudes e motivação. Não pode haver paz sem justiça, e não há justiça sem perdão, e não há perdão sem honestidade. Uma agenda para reconciliação ser estabelecida. As realizações de um conflito podem prover bases para dinâmicas humanas inspirando mudanças de atitude na resolução de outro conflito.

Os atores no conflito devem ser treinados para ver o outro como seu próximo. Suas perspectivas de fé devem ser desenhadas para expressar a natureza inclusiva da família humana. Unir o transcendente com valores provê uma base inicial para o entendimento comum. O medo precisa ser neutralizado. Num consenso comum para o futuro, para nossos filhos, netos e para a humanidade, devemos achar os recursos, as capacidades e as possibilidades para a paz. Fazendo isso, honraremos um ao outro numa busca crucial para o futuro num crescente ambiente global interconectado.


K. Haridas é o Diretor Executivo de uma Fundação Educacional na Malásia e Membro do Conselho Internacional de IM.
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