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PARTEIRAS DA PAZ NO SUDÃO
Clementine Lue Clark
25 Fevereiro 2008

Clementine in Boston

‘Círculos de Paz’ onde conversas tranqüilas vão influenciar, educar e informar suas decisões já que cuidam da próxima geração e o nascimento de uma nova nação.

O Sudão é o maior país da África e sua população é dividida por questões religiosas, étnicas e sócio-econômicas: entre muçulmanos e cristãos, árabes e africanos, nômades e agricultores. Tem estado em conflito desde sua independência em 1959, e diferentes regiões do país têm experimentado duras turbulências nos últimos anos.

Sob um Acordo Compreensivo de Paz (CPA) assinado em 2005, a guerra civil entre o Mundo Árabe, Muçulmano do Norte e o Mundo Cristão, Animista, Negro-Africano do Sul oficialmente chegou a um fim. Sobre o CPA, os dois ‘parceiros’, o Partido do Congresso Nacional do Norte (NCP) e o Movimento da Libertação do Povo do Sudão do Sul (SPLM) e outros partidos políticos do país entraram num acordo sobre várias necessidades. Mas a implementação da CPA tem sido enfraquecida por falta de confiança e vontade política. E ainda existem outros conflitos regionais internos sem resolução, particularmente na região de Darfur, a oeste do Sudão.

O Sudão está numa fase crucial de sua reconstrução. Mulheres têm um papel crucial na prevenção da violência e resolução de conflitos, mas, em geral, não reconhecido. Elas estão freqüentemente no centro dos movimentos da sociedade civil, cuja influência é significativa no período pós-conflito da história de um país. Desde que as mulheres têm superado os homens em termos de quantidade após os conflitos, elas lideraram a importante implementação do acordo de paz e têm mais papéis de liderança em todos os segmentos da vida. Investir em um dos maiores recursos humanos do país – as mulheres – será um grande benefício para o Sudão.

Logicamente, existem assuntos de prioridade diplomática, como a assinatura do CPA. Mas outros precisam ser acertados – corações e mentes precisam ser convencidos. Vi que isso era possível para o Sudão em minha recente viagem ao país. Paz não é apenas ausência de guerra, mas a habilidade de cuidar humanitariamente de outros.

Programas como Criadoras de Paz (CoP), de Iniciativas de Mudança, podem ajudar. Ele desafia mulheres a perdoarem e darem passos individuais em suas vidas para corrigir os erros. Uma ferramenta criada por CoP chamada Círculo de Criadoras de Paz (CoPC) usa várias maneiras incluindo conversas com histórias pessoais e momentos de silêncio num grupo reservado de forma a criar uma atmosfera que explora a necessidade de mudança pessoal. Isso cria um espaço seguro para mulheres falarem e serem ouvidas.

O CoP foi convidado para ir ao Sudão em outubro de 2007 e tive o grande privilégio de me juntar a uma equipe internacional de mulheres lá. O grupo mediou duas oficinas: uma na capital do Sudão, Khartoum, e outra em Juba, a capitão do Sudão do Sul. Dentre os participantes havia uma mistura de docentes, políticas, ativistas sociais focadas nas questões femininas, ONGs locais e estudantes. Essas mulheres têm o potencial para serem as verdadeiras parteiras da paz no Sudão.

No Sudão, como em muitos países de pós-conflito, mulheres lideraram os esforços na reconstrução de comunidades locais. Como protetoras, elas são em geral mais responsáveis pelo crescimento dos filhos, e têm uma escolha entre perpetuar os círculos de violência e preconceito ou encorajar famílias e comunidades que valorizam o perdão, a mudança positiva e a paz. Para isso, acredito que primeiro devam olhar para dentro de si mesmas e ver o que precisa ser mudado internamente, e então trabalharem juntas para fazer a mudança sustentável em suas comunidades. Encontrei muitas mulheres, as quais já estão fazendo isto e desejando ter esse desafio.

Equipadas com as ferramentas e oportunidades certas, as sudanesas podem certamente ser criativas e efetivas na mediação de conversas que cruzem as linhas da religião e da etnia de forma não repressiva. Juntas, nosso tempo apresentou o esquecido aspecto da introspecção espiritual e pessoal fomentado pelos Círculos de Paz de CoP. As participantes sudanesas comentaram sobre a exclusividade da abordagem e da profundidade alcançada e a oportunidade para os do Norte e do Sul, os muçulmanos e os cristãos, de sentarem juntos e conversarem numa forma bastante pessoal.

As mulheres que encontramos têm insistido em questões de perdão e justiça. Você pode ter perdão de verdade sem a promessa de justiça? Muitos questionaram se o CPA vai trazer justiça à acusação individual e lidar com suas necessidades pessoais. Mas sempre existe a questão: o que deve ser feito primeiro? Preparar os corações e mentes das pessoas? Ou a construção estrutural do país? Momentos onde mulheres possam sentar juntas e identificar sua visão comum para seu país e banir opiniões estereotipadas umas das outras podem ajudar a trazer mudança sustentável. As coisas que elas aprendem juntas em conversas tranqüilas vão influenciar, educar e informar suas decisões já que cuidam da próxima geração e o nascimento de uma nova nação.

Visite o website (em inglês) para aprender sobre Criadoras de Paz.


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