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Notas de um viajante de Pachgani

domingo, 15. Janeiro 2012

Evgeniya Koroleva e Nastya Sachko, jornalistas por profissão e membros do “Clube para Jovens Líderes” de Crimea (Ucrânia), têm trabalhado por alguns meses como voluntárias em Asia Plateau – o centro internacional de Iniciativas de Mudança em Panchgani, Índia. Os sonhos delas em ir a Asia Plateau em busca de respostas a questões pessoais através de novas descobertas precisaram superar obstáculos financeiros e alguns meses de procedimentos de obtenção do visto por vezes sem esperança. Evgeniya Koroleva está compartilhando algumas de suas notas de viagem que parecem possuir o sabor das pimentas indianas.

Evgeniya Koroleva

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A decisão de ir ao centro de conferências de Asia Plateau, na Índia, veio espontaneamente tanto de mim quanto de Nastya, ocupando completamente nossos pensamentos. Os formulários de inscrição foram preenchidos, as aprovações recebidas e a fundação sueca gentilmente nos doou dinheiro para esse projeto pessoal. Um leilão de caridade aconteceu em Heidelberg-Centre em Crimea, Ucrânia, para apoiar a nossa participação no programa de internato. As passagens foram compradas. As vacinas foram os primeiros obstáculos sérios. Elas não foram necessárias para conseguir o visto, mas são muito importantes para a segurança pessoal. Acaba que vacinas contra hepatite A e B não estavam fáceis de conseguir mas, apesar das dificuldades, conseguimos resolver. Quando nossa data de ida estava se aproximando no final do verão, fomos a Kiev buscar os vistos.

Todos nos diziam, “Ah, Índia? Muito fácil de conseguir visto pra lá. Vocês não terão nenhum problema”. Até poderia ser verdade, se não quiséssemos ir por um tempo maior (10 meses), e se tivéssemos decidido não ser honestas contando que somos jornalistas. Assim, os documentos da embaixada de Kiev foram enviados para Délhi e começamos a esperar por uma resposta. Ligávamos para a embaixada quase todo o dia. Sem resposta. Pedimos a nossos amigos de Kiev para ir até a embaixada. Sem resposta. Os dias passaram, e depois as semanas... Sem resposta. Éramos esperadas em Panchgani. Sem resposta. O dia de embarque veio. Sem respostas. Nossas passagens se perderam. Ainda sem respostas.

Cerca de dois meses depois, passada a data de embarque, submetemos os documentos à embaixada de novo, pedindo permissão para 6 meses dessa vez. Obtivemos os vistos no dia seguinte! A Índia estava me ensinando ter paciência antes que eu chegasse lá.

Em uma semana compramos nossas passagens, arrumamos nossas malas e partimos para Déli.

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Nastya Sachko, Evgeniya Koroleva em Délhi, a caminho para Asia Plateau, PanchganiDéli nos recebeu com barulho, o corre-corre diário de milhares de cidadãos na capital. Vacas, poços de lixo, riquixás, soldados com armas, cobertos em suas posições de guarda, onde podiam se esconder em caso de ataques terroristas, checando bolsas em cada estação de metro, uma pobreza impressionante, odores insuportáveis, arquitetura fantástica, lindos parques, comida muito picante, os doces mais saborosos, deuses adorados e muito interesse para estrangeiros. Tudo isso nos impactou nos primeiros dias. Estava grata de ver a vida real – sem exagero e máscaras. Indianos – sinceros, curiosos, acolhedores e incrivelmente musicais – todos cantam (embora homens com mais frequência) e em todos os lugares!

Foi uma semana incrível em Déli. Depois seguimos para Mumbai.

Ficamos a primeira noite com o Sr. e Sra. Anand – amigos de “Iniciativas de Mudança”. Foram muitos hospitaleiros nos recebendo em sua casa, e descrevendo lugares de interesse que poderíamos ver na cidade. As duas outras noites ficamos num hotel, porque nossos queridos anfitriões esperavam outros convidados (nossa chegada não foi avisada com antecedência, e então não havia lugar extra).

Mumbai pareceu mais limpa, mais empresarial e mais organizada que Délhi. As pessoas pareciam mais orientadas, não seguiam ao acaso. E os motoristas não insistiam em buzinar, o que não era o caso com os colegas em Délhi, que estavam felizes de buzinar o dia inteiro. Mas Mumbai era também uma cidade indiana com ratos, sujeira e pobreza. No entanto, essas duas garotas brancas aqui não se destacavam tanto ali como na capital. As pessoas estavam acostumadas com estrangeiros e não davam muita atenção, exceto os vendedores. Um vendedor de baterias começou a nos seguir no distrito turístico de Kolaba, tentado nos convencer de que simplesmente tinha que comprar uma bateria para meu “irmão, marido, namorado, amigo, pai, vizinho...” Ele nos seguiu por 10 minutos. E depois que repeti centenas, milhares de vezes que não iria comprar nada, ele sorriu, desejou uma excelente noite e nos deixou para caçar outros turistas.

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Conhecer a Índia, descobri-la em cada novo dia era o máximo, no entanto, estávamos sendo esperadas em Panchgani.

Um grupo de internos da Coréia do Sul e Evgeniya Koroleva. Programa de internato em Asia Plateau, Índia 2011Como dizemos, “é hora de seguir adiante”. Chegamos tarde da noite de 18 de Novembro, e a manhã seguinte começou a conferência internacional “Caux Iniciativas para os Negócios”. Por 5 dias, participantes da Índia, Japão, Alemanha e EUA discutiram como usar os princípios de IdeM nos negócios.

A japonesa Sachiko-san foi uma entre os participantes. Encontrei ela em Caux, o centro de conferências internacional de IdeM na Suíça, dois anos antes, onde ela era parte da delegação japonesa. Trabalhamos com ela na cozinha por um dia, e tinha pensando particularmente nela quando pensava sobre o Japão, apesar de não lembrar seu nome. Você pode imaginar o quão surpresa eu estava quando a vi aqui! O mundo é tão pequeno! Como uma bola pequena, e ainda não damos a devida importância a isso.

E também Sachiko-san estava inacreditavelmente feliz de conhecer o sobrenome de Nastya (Sachko) na lista de participantes.

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A vida em Asia Plateau corre de forma constante e pensativa. Junto das conferências há oportunidade de participar de sessões e seminários. No resto do tempo, internos voluntariamente ajudam na casa, educando-se, passando por desenvolvimento pessoal – e cada um está em busca de seus próprios caminhos para isso. Alguns passam mais tempo em meditação silenciosa para escutar a voz interior; outros se comunicam a fim de achar respostas para questões pessoais através de experiências e vivências com outras pessoas; alguns leem livros ou caminham pelas redondezas apreciando a linda natureza, arranjos de flores e pássaros cantando... Anastasya encontra suas respostas ajudando na cozinha.

Evgeniya Koroleva e Nastya Sachko. Programa de Internos em Asia Plateau, Pune, Índia, 2011O centro médico e agrícola de Grampari está situado próximo a Asia Plateau, onde as pessoas podem achar mais sobre agricultura e cuidados com a saúde. Três voluntários estão trabalhando lá: Rachel (americana), Etien (francesa) e Reni (indiano). Rachel nos contou que eles precisam explicar às pessoas sobre a necessidade de lavar as mãos com sabão. Mais de 5000 crianças morrem diariamente no mundo por diarreia, também chamada de “doença das mãos sujas”.

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Ontem uma conferência “Coração de Liderança Efetiva” começou em Asia Plateau. Profissionais da área de educação e negócios estão participando. Hoje houve também sessões sobre liderança efetiva. É um grande prazer ver pessoas simples de uma pequena cidade, Karnaka, ouvindo com grande interesse sobre os princípios de “Iniciativas de Mudança”, sobre o momento de silêncio, sobre mudar o mundo começando por si mesmas. É tão grande que fazemos um trabalho similar em Crimea, promovendo valores de “Iniciativas de Mudança” entre os jovens. E todos queremos que nossas iniciativas sejam frutíferas e sigam além...

Tradução do russo para inglês por Angela Starovoytova