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A sociedade civil – A grande esperança da Ucrânia

sexta-feira, 23. Setembro 2016
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A sociedade civil – A grande esperança da Ucrânia

A Ucrânia está lutando para criar as condições na qual a democracia possa prosperar. A luta está longe de vencer. No entanto, como a revista The Economist observou recentemente, “a energia da Revolução da Dignidade de 2014 ainda não se dissipou. Em vez disso, foi transportada para a sociedade civil.”

Victoria Vdovychenko

A conferência de Caux deste ano sobre Governança Justa para a Segurança Humana ouviu ucranianos ativos nesta luta. Victoria Vdovychenko (foto à esquerda) começou uma Escola para a Boa Governança em Kiev. Viktoriia Kuts-Mryshuk e Marina Dadinova são líderes da Switch On, uma iniciativa nacional para capacitar os cidadãos para resolver os problemas civis. Mykola Khavroniuk, diretor do Centro para a Reforma Política e Legal, está treinando funcionários governamentais em métodos para superar a corrupção.

Alguns falaram do seu trabalho para unir a divisão entre a Ucrânia Ocidental, onde as pessoas falam ucraniano e a Ucrânia Oriental, onde muitos falam russo. A Rússia está travando uma guerra contra a Ucrânia, e sua mídia agrava essa divisão.

Oleh Ovcharenko

Uma rede de ucranianos tem treinado sobre facilitação do diálogo e da mediação e agora estão no Leste da Ucrânia. Nos últimos seis meses, Oleh Ovcharenko (foto à direita), disse que uma equipe de 16 pessoas realizaram 53 diálogos, cada um com duração de até quatro dias. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas apoiou este trabalho financeiramente.

Em muitos casos, os diálogos reuniram soldados ucranianos – que vêm principalmente do oeste da Ucrânia – com o povo local. Em algumas ocasiões uma mudança de atitude ficou imediatamente evidente. Em uma cidade, quando as pessoas locais criticaram a conduta dos soldados, o comandante deu-lhes o seu número de celular para que eles pudessem alcançá-lo, logo que houvesse um problema. Pouco depois, o conselho da cidade convidou os soldados a se juntarem a eles em uma festa na cidade.

Essa rede se originou do programa Bases para a Liberdade, que começou com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e Iniciativas de Mudança pode trabalhar na Europa Oriental. Desde então, mais de 3.000 pessoas do Leste europeu já participaram de cursos destinados a permitir todos a descobrir a sua parte na construção de uma sociedade democrática. Muitos deles têm trabalhado juntos desde então.

Alguns desenvolveram um projeto, “A história começa na família”, em conjunto com a Fundação Memorial Bergen-Belsen, na Alemanha, e no Centro Internacional Encontro da Juventude, em Auschwitz. Isto é reunir pessoas jovens da Alemanha, Polônia e da Ucrânia “para ligar o passado não cicatrizado ao presente e ao futuro.”

Outros estão recolhendo histórias de mineiros no Oriente e Ocidente da Ucrânia e compartilhando-as através de filmes documentários e encontros. “Através disso, eles descobrem que têm muito em comum entre si”, disse Oleh. “Isso trouxe um sentimento de solidariedade às famílias de mineiros em todo o país.” Eles agora planejam uma galeria online das histórias dos mineiros.

Também falando na oficina, estava Nataliia Holosova, uma professora que trabalha com crianças que fugiram das regiões de conflito. Ela trabalha para integrar as crianças, que se encontram agora em novas escolas, muitas vezes em uma nova linguagem e, por vezes, tendo perdido familiares.

Ao fazer este trabalho, Nataliia disse: “Estamos aprendendo o valor das ‘histórias vivas’. A história não é sempre o que está nos livros; é o que as pessoas têm vivido. Contar suas histórias de vida constrói a compreensão, tal como acontece com os mineiros.” Recentemente, Bases para a Liberdade organizou um seminário em Lviv, disse ela, “o que nos deu a oportunidade de mostrar aos professores como eles poderiam incentivar esta integração.”

A oficina concluiu com uma pergunta sobre como os de fora da região poderiam ajudar. "O núcleo deste trabalho é a abordagem de Iniciativas de Mudança”, disse Oleh. “Nós valorizamos a ajuda na elevação de nossa compreensão desta abordagem e as nossas competências na sua aplicação.”

Tradução por Paulo Zanol